Edição de Setembro 2015
André Derizans Exclusivo
InFlash

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM ANDRE DERIZANS

MÚSICO DA BANDA ZION, INSTRUTOR DE JIU-JÍTSU E SURFISTA

por Vera Saias

Representando a equipe do Flamengo no USA Nationals 2015 - Fotos: Arquivo pessoal de Andre Derizans

Foto capa: Clifton Youmans

Como surfista ganhou várias etapas do circuito da Hawaii Surfing Association 2011-12 e 2013-14, foi finalista nos últimos 4 anos do Hawaii State Championship, representou o Hawaii por diversas vezes no circuito mundial profissional da World Surf League no Sri Lanka, Itália, China e Austrália, em 2015 no USA Nationals Championship ficou em 5º lugar no Longboard Open e 4º lugar no Longboard Senior. Vamos a entrevista:

Vera: Andre, além de ser instrutor de Jiu-Jítsu, surfista e músico, tem mais algum atributo que possa ter passado despercebido em minhas pesquisas?

Derizans: Como bom brasileiro, sou apaixonado por futebol e participei de vários campeonatos da Liga Havaiana, também joguei tenis no colégio e comecei a jogar basquete pelo Clube de Regatas do Flamengo. Parei por causa do surf. O surf realmente é minha paixão desde a adolescência como o Jiu-Jítsu e também a música, mas meu primeiro esporte começou dentro da água, é mesmo o surf.

Vera: Quando foi o primeiro contato com o Jiu-Jítsu?

Derizans: Meu primeiro contato como Jiu-Jítsu veio através do surf. Nesta época, pegando ondas, eu tive o prazer de conhecer Rickson Gracie e Royler Gracie. Foi na Academia deles onde comecei meu aprendizado de Jiu-Jítsu. 

Vera: Fala para gente, porque você fez do Havaí a sua moradia oficial? 

Derizans: Em primeiro lugar, decidi ir para o Havaí por causa da minha necessidade  de surfista, queria conhecer as melhores ondas do mundo. Eu sempre peguei ondas desde pequeno, e a primeira oportunidade que tive, fui para lá para conhecer aquelas ondas maravilhosas e acabei morando. Não posso dizer que foi coincidência, mas foi lá que conheci minha esposa, me apaixonei e decidimos morar.

Vera: Alem do Jiu-Jítsu você pratica outras artes marciais? É difícil fazer a transição de uma para outra? 

Derizans: Sim. Tive experiência com outra arte marcial, o judô. É o que eu aconselho para crianças de até 7 anos que ainda não tem discernimento de saber quando e como aplicar golpes traumáticos que podem resultar até em morte. A iniciação no judô é parte de acesso ao Jiu-Jítsu. É interessante que uma criança aprenda como cair e derrubar os outros, isso é a base de tudo. Minha primeira experiência com as artes marciais foi com o judô e a transição para o Jiu-Jítsu foi bem fácil, porque todos os golpes do judô estão dentro dos ensinamentos do  Jiu-Jítsu. O Jiu-Jítsu é como um “Pai” das artes marciais, foi dele que se desenvolveram as demais ramificações. O Jiu-Jítsu nasceu na Índia quando os monges  saiam para pregar. Eles não eram pessoas fortes, eram magros e viajavam em caravanas com suas famílias. Para se defenderem, encontraram esta maneira não tão agressiva, e “MAIS” como uma defesa pessoal que não resultava em nenhuma possibilidade de morte. Foi assim que surgiu o Jiu-Jítsu, nascido na Índia, passou pela China e se estabeleceu no Japão, onde a família Real o manteve como segredo, proibindo que qualquer membro da realeza o ensinasse fora da mesma e caso o fizesse, seria expulso do Japão. Ainda assim,  se o individuo expulso do Japão continuasse a ensina-lo fora do país, não mais poderia  retornar ao seu país. A partir de então, iniciaram-se as ramificações do Jiu-Jítsu, que seria ensinado aos poucos sem se revelar tudo de uma única vez, resultando no aparecimento do karate, taekwondo e outras artes marciais. 

Vera: Explorando mais um pouquinho o Jiu-Jítsu, existe muita polêmica em relação as regras desta competição, por exemplo: ficar segurando o oponente para que se ganhe por pontuação. O que você acha dessa controvérsia? No seu ponto de vista a luta deveria rolar mais livre ou há vantagens neste tipo de pontuação e estas são boas regras? 

Derizans: O esporte Jiu-Jítsu é muito saudável. Mas às vezes a pessoa se programa para fazer pontos e ganhar a luta para ser campeão mundial com uma raspagem, com uma pequena vantagem. Acho que isso realmente não prova a superioridade de ninguém. Eu acredito mais no Jiu-Jítsu praticado para a finalização do que no para pontuação, então ao meu ver, se eu estivesse na liderança deste esporte, eu tentaria eliminar no máximo, o tempo da luta. Uma luta sem tempo muito longo, onde não tivesse pontos ou vantagens e que só terminasse como uma luta real de rua, que só termina com um derrotando o outro. Também não acredito em luta, onde se bate na cara do oponente, isso é ignorância. O homem já evoluiu bastante e a arte marcial também, o melhor é ir por outro caminho, procurar não bater na cara do oponenet e sim controlá-lo e vencê-lo.

Vera: Do Havaí para Carolina do Sul, do Pacifico para o Atlântico. Como foi essa trajetória de parar por aqui no Karate Word,  Surfside Beach? 

Derizans: Mr. Jason, o professor de karate, já era aluno do Relson Gracie. O Relson já havia feito um seminário aqui. Eu conheci o Jason, ficamos amigos e resolvemos implantar este trabalho, onde eu venho mostrando meu Jiu-Jítsu para os alunos dele. Ele foi super humilde ao deixar eu entrar no programa desde o comecinho e tal, hoje em dia ele já é um faixa roxa, quase marrom. Acho que a razão por eu estar aqui é a índole e integridade do Mr. Jason. Para mim estes são os valores que importam na vida, ele tem seus valores bem definidos é uma pessoa cordial, paciente sempre cooperando com os outros. É importante ser compreensivo, ter compaixão, porque o mestre não ensina o aluno apenas a lutar, ele ensina o aluno a se defender  e isso e uma coisa que me inspira. Todos estes anos aqui com o Jason, me mostraram que eu estou colocando minhas armas nas mãos de uma pessoa que vai fazer o uso correto delas.

Vera: Há quanto tempo está aqui em Surfside Beach? .

Derizans: Desde 2007 

Vera: E o Brasil para você? 

Derizans: O Brasil e algo muito IMPORTANTE para mim, porque claro, sou brasileiro de coração. Procuro ir ao Brasil sempre que eu posso. É um pouco difícil viajar a lazer, vou  mais a trabalho. Tenho ido menos do que eu gostaria, mas procuro acompanhar tudo que acontece por lá e  alguma forma de contribuir com algo, mesmo que seja a distância.

Vera: Sei que você chegou recentemente do Brasil. 

Derizans: Sim, desta vez fui visitar a minha família e também para fazer o lançamento no mercado Brasileiro do novo disco que lancei no Havaí. Fiz dois shows, vi minha família, fiz excelentes  contatos e como sempre fiquei muito feliz por ter estado lá novamente.

Vera: Fala para a gente um pouquinho da sua "Banda Zion".

Derizans: Minha Banda nasceu no dia 13 de Julho de 93, foi o primeiro dia que a Banda ensaiou. Era dia de Santo Antônio. Esta Banda surgiu pela necessidade de me expressar, visto que eu trabalhava antes com rádio e produzia shows. Com isso comecei a conhecer muitos artistas de reggae e as vezes via que nem todos cantavam o que realmente viviam, então, senti a necessidade expressar pela música que tanto amo, meu estilo de vida e as coisas que penso.

Vera: Quais seus projetos para o futuro? 

Derizans: Daqui a duas semanas, eu vou participar de um campeonato dos melhores surfistas classificados por suas regiões e estados no campeonato nacional Americano. Estarei representando o Havaí. Fiz toda minha preparação no Clube de Regatas do Flamengo e vou poder representar o time do meu coração e em breve teremos mais novidades sobre o surf no Flamengo e o surf dentro da Olimpíada. 

Vera: Vamos então para um bate e volta. 

Vera: Para você um Jiu-Jitsuka?

Derizans: Helio Gracie 

Vera: Um time de futebol brasileiro. 

Derizans: Em primeiro lugar para Flamengo, segundo o Mengão, terceiro a Nação Rubro Negra, quarto o mais querido e em quinto o melhor do mundo, hahahahahaha.

Vera: USA?  

Derizans: Havaí.

Vera: Convicção?

Derizans: DEUS. 

Vera: Ganhar? 

Derizans: É uma consequência de um bom trabalho.

Vera: Perder?

Derizans: O melhor aprendizado que há. Você aprende muito mais quando perde do que quando ganha.

Vera: Deixe uma frase para encerrar.

Derizans: Todos nós precisamos de serenidade para passar pelos tempos difíceis, que  todos nós tenhamos paciência para ensinar os ignorantes, que todos nós tenhamos coragem para representar o que acreditamos, que todos nos tenhamos bastante amor no coração para poder dividir com aqueles que não sabem o que é isso .

Vera: Muito obrigada!

 

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